Osasco, SP — Uma cratera se abriu na tarde da última segunda-feira (13/7) na Rua Cuiabá, no bairro Jardim Rochdale, em Osasco, na Grande São Paulo, durante uma obra de implantação de rede de esgoto conduzida por uma empresa terceirizada da Sabesp. O solapamento comprometeu a estrutura de três casas vizinhas ao canteiro de obras, que precisaram ser interditadas por precaução. Ninguém ficou ferido, mas nove moradores — sete adultos, duas crianças e um animal de estimação — tiveram que deixar seus imóveis.
Como aconteceu
Segundo a Defesa Civil de Osasco, o problema teve origem durante a escavação de um poço de serviço necessário à obra, que faz parte de um projeto de despoluição de córregos da região. A escavação provocou uma movimentação de solo que resultou em trincas e rachaduras nas residências localizadas em frente ao canteiro.
Ainda na segunda-feira, o prefeito de Osasco, Gerson Pessoa (Podemos), esteve no local para acompanhar os trabalhos da Defesa Civil e cobrar da concessionária suporte imediato às famílias atingidas. O prefeito afirmou ter entrado em contato diretamente com a superintendência da Sabesp para garantir o amparo aos moradores desalojados.
Assistência às famílias
Em nota, a Sabesp confirmou que não houve vítimas e que, como medida preventiva, as três casas foram interditadas com acompanhamento da Defesa Civil. A companhia informou que está prestando apoio às famílias, incluindo:
- um Pix emergencial de R$ 2 mil para cobrir despesas imediatas;
- acolhimento em pousadas ou imóveis mobiliados alugados pela empresa, até que os moradores possam retornar às residências com segurança;
- acompanhamento de equipes de assistência social e engenharia, que permanecem no local realizando avaliações técnicas.
A Sabesp reforçou que esse apoio emergencial é independente das avaliações técnicas e do ressarcimento integral dos danos causados pelo incidente, e afirmou que vai acompanhar cada caso individualmente até a solução completa da situação.
Cratera já foi tapada
Nesta terça-feira (14/7), a Sabesp concluiu o preenchimento da cratera. De acordo com a companhia, duas das três casas interditadas já foram liberadas; o terceiro imóvel segue aguardando avaliação técnica para verificar se pode voltar a ser ocupado. As obras no coletor de esgoto seguem temporariamente paralisadas enquanto as causas do incidente são apuradas, e a empresa afirma que vai definir um novo prazo para a conclusão dos trabalhos assim que possível.
Um problema recorrente
O caso do Rochdale é pelo menos o quarto incidente ligado a obras da Sabesp registrado no estado de São Paulo em menos de três meses. A lista inclui uma explosão em maio na zona oeste da capital, que deixou mortos e dezenas de imóveis danificados, o rompimento de uma adutora em obras de saneamento em São Bernardo do Campo e um vazamento de gás durante uma intervenção na região central de São Paulo, provocado pelo descumprimento de protocolos de segurança por funcionários da empresa.
Diante da sequência de acidentes, o governador Tarcísio de Freitas afirmou que o Estado vai revisar os procedimentos de segurança adotados pela Sabesp, citando o aumento do número de obras simultâneas como fator que exige uma reavaliação dos protocolos. A companhia, por sua vez, já sinalizou um pacote de medidas para reforçar a segurança das obras, incluindo mais fiscais em campo e monitoramento por câmeras com inteligência artificial até o fim do ano.




