Estudo divulgado ontem, dia 25.09.2025, pela Unicef aponta que 4,2 milhões de estudantes no Brasil estão em atraso escolar. Esse número representa aproximadamente 12,5% dos 33 milhões de estudantes que o país tem. E significa que eles estão pelo menos dois anos atrás da série em que deveriam.

A maior parte dos atrasos ocorre no último ano do Fundamental II (hoje 9º ano, antes 8ª série), quando os alunos deveriam mudar de ciclo para ingressar no Ensino Médio. Segundo o estudo isso ocorre principalmente por racismo e necessidade de trabalhar para ajudar na renda familiar.
Análise:
Não encontrei que corroborem o fator racismo. O único dado que encontrei em toda a pesquisa que fiz foi que 14,6% dos estudantes em ayraso são negros e 8,1% são brancos. Acredito que isso se deve, principalmente, ao fato de 55,5% da população brasileira ser negra ou parda e a maior parte dos estudantes de escolar públicas pertencer a esses grupos.
Sobre a maior parte dos atrasos acontecer quando deveria ocorrer a mudança para o ensino médio, acredito ser porque os estudantes não aprenderam o que necessitavam e ficaram retidos antes da mudança de ciclo que, pelo menos em São Paulo, é o único momento que a retenção pode ser feita.
Cobrança para resolver:
A Unicef tem uma iniciativa, em parceria com o Instituto Claro, .chamada Trajetórias de Sucesso Escolar. Essa iniciativa procura ajudar redes de ensino a resolver os problemas de evasão escolar, déficit de aprendizagem e distorção idade-série. Mas não são as redes de ensino que devem ser cobradas.
Quem deve ser cobrado pelo atraso escolar no país é o governo federal. Explico porque: o governo federal manda pouco dinheiro para o estados (responsáveis pelo ensino médio) e municípios (responsáveis pelo ensino fundamental) pois deixa a maior parte para ser investido no ensino superior (responsabilidade do governo federal).
Sobre os investimentos:
Dessa forma o ensino superior recebe muito investimento, mas os ensinos fundamental e médio recebem pouco investimento e pouca atenção do governo federal, e ficam defasados. Os alunos chegam ao ensino superior sem saber o básico necessário. E os que querem continuar estudando não recebem o necessário para se manter. Sim, porque nosso governo também não investe em pesquisa como deveria.
Para o governo federal, só o ensino superior importa. Porque quem está no ensino superior vota. Por isso é onde eles querem investir mais, para formar militância. Enquanto não aprendermos a eleger políticos que se importem com a QUALIDADE DO ENSINO FUNDAMENTAL, nada vai mudar.
E enquanto nosso governo federal não permitir que instituições privadas e estrangeiras façam pesquisas aqui nosso país não vai se desenvolver. Hoje o monopólio das pesquisas acadêmicas é do governo federal, mas os valores pagos pelas bolsas de estudo são ridículos. Isso precisa mudar urgentemente.




