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Celular nas escolas deve realmente ser proibido?

Agora que passou o Carnaval, o Brasil realmente passa a funcionar, a andar. As escolas não são diferentes, as matérias importantes só passam a ser ensinadas após o Carnaval. Porém, cada vez mais, os alunos não se mantêm atentos ao que é ensinado. Por isso, em 2025 foi sancionada uma lei que proíbe o uso de celular na escola. Algumas escolas públicas chegam mesmo a recolhê-los na entrada. Mas isso é mesmo o melhor a ser feito? Existem prós e contras, e é isso o que quero discutir nesse texto.

Efeitos do alto uso de celulares

Estudiosos alegam que o uso de celular durante a aula tira a atenção dos alunos e faz com que aprendam menos. Dizem que a escola é importante para o aluno aprender a socializar fora da internet. Não há discussão quanto a nada disso. Principalmente após a pandemia de Covid – 19, a socialização pessoalmente ficou cada vez mais difícil. Isso porque os jovens aprenderam a socializar à distância.

Acontece que a alta exposição às redes sociais, onde acontece a socialização, pode ser extremamente prejudicial. Ao se expor, os jovens têm uma experiência que não necessariamente irá condizer com a vida real. As meninas tem uma hiper atenção dos meninos nas redes, mas é uma atenção vazia, que não quer nada. Já os meninos sofrem uma alta rejeição devido à atenção que as meninas recebem.

Dessa forma, estudos indicaram que entre 2010 e 2021 os casos de depressão grave cresceram 145% em meninas e 161% em meninos e entre 2000 e 2021 os casos de suicidio na faixa dos 10 aos 14 anos aumentaram 221% em meninas e 170% em meninos. Levando em conta que o cérebro se desenvolve da mesma forma em ambos os sexos, o componente sociocultural é o que deve definir essa diferença.

Por que isso ocorre?

Por que meninos tendem a ter mais casos de depressão grave e meninas tendem a ter mais casos de suicidio? Não sou psicóloga, então posso apenas especular, mas me parece que os meninos sofrem mais ao ficar sozinhos por não ter atenção das meninas enquanto elas têm atenção de muitos meninos. Entretanto, ao perceberem que essa atenção é vazia e não está imbuída de nenhum sentimento ou intenção séria elas não conseguem lidar bem com isso, ao passo que os meninos já aprenderam a lidar com a falta de atenção delas.

Para piorar a situação das meninas, elas estão constantemente expostas a outras meninas com corpos  mais bonitos, mais produzidas, com rostos mais bonitos e interessantes. Mesmo que isso não seja real, na cabeça de uma menina que não conseguiu a atenção do menino que desejava é assim que parece. Assim, a menina que estava cheia de atenção na rede social e fica sozinha na vida real não consegue suportar isso. Pelo menos é o que eu acredito que aconteça.

Mas e os contras?

Então vamos voltar às escolas. Levando tudo o que foi dito até aqui em conta, é bom que o celular seja proibido nas escolas. Até porque, jovens expostos constantemente a vídeos curtos e pequenos períodos de dopamina sendo liberada no cérebro tendem a não conseguir se concentrar por longos períodos, como os de uma aula. Mais um motivo, então, para proibir o uso do celular.

Mas então, quais são os contras? Na minha opinião, o principal contra são os casos de bullying que deixarão de ser filmados e documentados. Isso porque as escolas têm muitos pontos cegos, onde ninguém vê o que está acontecendo. Nesses locais acontecem brigas, casos de bullying e, em casos mais graves, até mesmo estupros ou assassinatos. A verdade é que escolas não podem ter pontos cegos, nem mesmo nos banheiros.

Pode parecer exagero, mas as escolas deveriam ter câmeras em todos os lugares para registrar o que acontece, inclusive nos banheiros. Afinal, pessoas cruéis não irão pensar na privacidade das outras pessoas, elas apenas aproveitarão o único lugar sem câmeras para fazer suas crueldades com sua vítima. Além disso, as escolas deveriam fornecer as imagens das câmeras quando fossem solicitadas por um pai ou uma autoridade.

O problema é que (sabemos que) isso não vai acontecer. Não colocarão câmeras em todos os lugares das escolas, por causa da “privacidade” das crianças e adolescentes. Parece que a segurança deles fica em segundo plano nessa hora. As escolas também não fornecerão imagens, por medo de sofrer processos ou ser responsabilizadas de alguma outra forma. E novamente a segurança fica em segundo plano.

O que eu penso…

Eu sei como é sofrer bullying. Quando era pequena voltava chorando para casa, pedia para mudar de escola e os adultos me diziam que eu não sabia o que era melhor para mim por ser criança. O bullying que eu sofria era psicológico. As crianças me chamavam de lobisomem porque eu tomava um remédio que tinha como efeito colateral fazer crescer pelos. Mas nunca foi nada físico.

Eu aprendi duas coisas com o que passei quando era criança: não ligar para o que os outros pensam de mim e resolver meus problemas por conta própria, sem depender de adultos. Aos 12 anos, quando começou minha adolescência, já não me importava com o que os outros diziam sobre mim. Aos 15 procurava só ficar próxima de quem gostava de mim da forma que eu era (ou parecia gostar).

Mas os jovens de hoje são frágeis. Desde o princípio dos anos 2000 os pais acham que devem proteger seus filhos de tudo e todos. Que eles não podem ouvir “não” nem sofrer nenhum revés ou frustração. E para uma geração exposta constantemente a vidas “plásticas” teoricamente perfeitas mostradas nas redes sociais isso é muito ruim. Por isso é bom afastá-los do celular e das redes sociais, pelo menos por algum período de tempo.

A minha preocupação, novamente, é aquilo que não vemos acontecer e que não poderá mais ser registrado. Entendo os motivos para proibir o celular na escola, mas penso que então devem encontrar alguma forma de registrar em imagens tudo o que acontece dentro delas. Pela segurança física e mental de nossos jovens, porque esse deve ser um de nossos principais cuidados para com eles.

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