Na última quinta-feira, 26.03.2026, o Comitê Olímpico Internacional (COI) proibiu a participação de atletas transexuais em competições femininas. É a primeira vez que a entidade se posiciona oficialmente sobre o assunto, até então a orientação era que cada federação devia ter suas próprias e as atletas trans poderiam competir caso fossem liberadas para isso pelas respectivas federações.
O que mudou e porque mudou
Na semana passada, porém, o COI decidiu que as atletas devem passar por um teste genético para determinar se tem a presença do cromossomo Y, o teste SRY, que será válido para toda a vida. Com essa regra, atletas transexuais, intersexos, XY- DSD (com sensibilidade a andrógenos) terão suas participações proibidas nas competições femininas. A medida foi chamada de “Política de proteção à categoria feminina no esporte olímpico” e foi implantada pela presidente do COI eleita em 2025 Kirsty Coventry.
Kirsty foi a primeira mulher a ser eleita presidente do COI em seus 131 anos de existência. Ela afirma que a política “protege a justiça, a segurança e a integridade na categoria feminina”, “Não é retroativo e não se aplica a programas esportivos de base ou recreativos”. A medida foi adotada, segundo ela, devido às vantagens físicas pelo nascimento no sexo masculino.
Essas características são mantidas quando o organismo se desennvolve no sexo masculino passando por três picos de testosterona: no útero, na infância e na puberdade. Assim, os homens biológicos têm vantagens de desempenho em eventos que dependem de força, potência e/ou resistência. Isso porque, se o seu corpo foi exposto a um determinado grau de testosterona, as vantagens obtidas continuarão a existir mesmo que o nível de testosterona diminua.
Como as entidades e países reagiram
As federações de atletismo, esportes aquáticos e boxe já haviam proibido a presença de atletas trans nas competições. O COI nega que cedeu a pressões para tomar a decisão e diz ser até uma questão de segurança para as atletas. O COI ainda vai se reunir com os comitês olímpicos de cada país para definir como será implementada a decisão que deve passar a valer nos jogos olímpicos de Los Angeles em 2028.
O Presidente Donald Trump comemorou a decisão. A França disse se tratar de um retrocesso. Entidades como a Sport & Rights Alliance (SRA), ILGA World, Humans of Sport e dezenas de outros grupos divulgaram no dia 17 uma declaração conjunta de que essa decisão representa um retrocesso na igualdade de gênero no esporte.
A Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais) diz se tratar de uma “decisão que reforça estigmas e reativa mecanismos ultrapassados como os testes de gênero, marcados pela ausência de critérios éticos consistentes”. Barbara Pires, doutora em antropologia e consultora em promoção da igualdade de gênero no ecossistema esportivo considerou a medida uma vigilância não produtiva e insegura, que rebaixa a feminilidade a um espaço de controle, vigilância e suspeição, que introduz barreiras estruturais que limitam o desenvolvimento do esporte feminino e que não deveriam existir em um ambiente contemporâneo de inclusão e diversidade.
Reflexões sobre o assunto
Acho engraçado ver tantas pessoas e entidades defendendo a presença de atletas trans nos esportes femininos. A atleta Tiffany, vencedora da Superliga feminina de Vôlei pelo Osasco e principal atleta trans brasileira, diz que continuará lutando para poder competir. Só tem um problema: ela continuará lutando para competir entre e contra mulheres, não quer competir com homens. Assim como ninguém defende a presença de atletas trans em competições masculinas.
Claro que não há essa discussão em competições masculinas! Mulheres que se sentem homens não querem competir com os homens, pois elas sabem que não têm chances de competir como iguais. Por isso não vemos homens trans reclamando que não podem participar de competições masculinas. Ou pessoas defendendo que avaliar de forma biológica, científica, esses casos ´pe uma maneira dde excluir os homens trans. Ou dizer que é contra a inclusão e diversidade excluí-los das competições masculinas.
Toda vez que vejo essas coisas penso porque é só com as mulheres que isso acontece. Por que tentaram redefinir o que é ser mulher, incluindo mulheres trans na definição, mas não tentaram o mesmo com o que é ser homem? Por um motivo muito simples: quando a antropóloga diz que estão tentando rebaixar a feminilidade, ela tem razão. Querem rebaixar a feminilidade e tirar das mulheres os direitos conquistados durante anos de luta.
Ao tentar igualar homens que se vestem e agem como mulheres às mulheres biológicas e tornar legítimo que ocupem os espaços ocupados por mulheres, a luta das feministas pela igualdade de direitos é anulada. O COI tomou a decisão certa com sua resolução, e quem é contra ela quer apenas anular as mulheres e colocar os homens na mesma posição de comando que tinham há duzentos anos atrás. Não podemos deixar o mundo regredir dessa forma. Isso sim seria regressão.




